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quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Humor como chave para superar o abismo da depressão

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 A Postagem contém SPOILERS da Obra Sul-Coreana chamada 'A Gente Tenta', presente no catálogo da NetFlix. Recomendo que assista e volte aqui.



 

   

Jin-Man foi introduzido na obra como uma pessoa que havia perdido a esperança. Ainda que fosse poeta, ele seguia sua vida de maneira vazia, triste, e sem nenhuma capacidade de sorrir. Ele era inteligente, profundo, sensato quando argumentava temas com o seu irmão Dong-Man, mas ao mesmo tempo, também era devastado, se arrastando dia a pós dia envolto em um trauma relacionado à ausência de sua filha, a qual ele sequer sabia o paradeiro.


É evidente que um trauma pode ter esse impacto, o que significa que sua visão de mundo e o que respectivamente lhe acometeu era justificado. Todavia, o ponto é que a trama trouxe – na figura do seu irmão – a antítese disso, e a importância do quando a preservação do humor é fundamental para enfrentar mesmo as piores situações que se possa vivenciar.


Eu fiquei pensando que – de algum modo – a preservação do bom humor na vida é um bem supremo, independente do que aconteça. Como se precisava existir uma espécie de letramento de sensibilidade sabe, viver a vida aprendendo a vive-la criando conexões e rindo até das desgraças da vida. Jin-Man perdeu essa capacidade, e isso lhe levou ao abismo total. Não estou dizendo que ele deveria fingir que está bem, ou sorrir de maneira dissimulada... apenas argumento que não existe praticamente nenhuma maneira de renascer em meio ao caos se toda sua capacidade de sorrir for obliterada; é preciso preservar isso.


Dong-Man conseguiu preservar isso, ainda que não de um jeito funcional (algo que melhorar quando ele consegue lançar seu filme), e isso o permitiu, inclusive, encontrar cumplicidade e amor na figura da Eun-a, que pôde enxerga-lo no meio de um mundo de aparências cruel. E na nossa sociedade, em como ela se constitui, existem muitos Jim-Man, e tão poucos Dong-Man, que me fez pensar que até nisso o Dorama conseguiu ser espetacular.


É importante validar a dor, entende-la, acolhê-la e ter a devida dimensão de como elas nos afeta. Apenas, tão importante quanto, é a responsabilidade de, em algum momento, superar a si mesmo para simbolicamente transformar a tragédia em triunfo, a dor em alegria; de algum jeito. E a “ferramenta” facilitadora, está na capacidade de empregar bom humor à vida, sorrir e rir e assim conseguir criar conexões a partir disso, muito embora seja desafiador se aproximar das pessoas hoje em dia. Jin-Man renegou isso, e até o ultimo momento sustentou isso, como se o tempo dele tivesse passado. Todavia, nunca é a tarde, pois acredito que a vida é cheia de significado até o último instante, mesmo no último suspiro de vida.


Portanto prefiro pensar que o ato final, onde ele descobre o paradeiro da filha, chora e, em seguida, volta a escrever poesia, represente esse momento em que, mesmo convicto de não ter mais chance de alcançar o humor da vida, este tenha renovado, mesmo que embrionariamente, sua esperança. E como de costume, Doramas espetaculares também produzem personagens ‘secundários’ incríveis como foi o caso deste aqui. Também acredito que a personagem Mi-Ran foi um raio de sol nesse sentido, uma personagem que não se envolveu romanticamente com Ji-Man, mas que o amou a partir de suas poesias, enxergando para além do que seus olhos podiam ver quando o conheceu.

           

 

 

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